quarta-feira, 13 de julho de 2011

Sindae organiza agenda para segundo semestre

O Sindae participará do Encontro dos Coletivos da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU). A ampliação do debate sobre temas relacionados a juventude, mulher, raça e homofobia já fazem parte da agenda do Sindae e demonstra um dos pilares dos sindicalismo cidadão. O evento acontece nos dias 15 e 16 deste mês.
Este ano já houve o III Encontro Estadual da Mulheres do Saneamento, realizado no mês de março, e neste segundo semestre terá a 2ª etapa do Planejamento Administrativo-Financeiro do Sindae, o II Encontro Estadual das Empresas Municipais de Saneamento, o III Encontro Estadual da Juventude do Saneamento, a Roda de Diálogos sobre Acessibilidade, o III Encontro Estadual sobre Discriminação Racial e Homofóbica. Além disso, o Sindae participará ativamente das conferências de Juventude e de Emprego e Trabalho Decente e das Plenárias Estatutárias da CUT e FNU. Também estamos ajudando a construir o Conselho Estadual de Comunicação.
No dia 23/09 acontecerá a inauguração da nova sede do Sindae, com a apresentação de um video institucional sobre os 25 anos de história da entidade.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A composição orgânica do capital e a classe trabalhadora

Para Marx, a compreensão sobre a composição do capital é fundamental para entender a influência que o capital exerce na vida da classe trabalhadora. Ele explica essa composição através de duas perspectivas: a perspectiva de valor ou composição orgânica do capital que é aquela determinada pelo valor dos meios de produção e pelo valor da força de trabalho; e a perspectiva da matéria que é a relação proporcional entre a massa dos meios de produção utilizados e o montante de trabalho exigido para o seu emprego.

Se a composição orgânica não se alterasse, ou seja, se determinada massa de produção requeiresse sempre o mesma massa de força de trabalho haveria um crescimento do capital gerado pela acumulação da mais-valia que é retransformada em capital variável e, consequentemente haveria um aumento da demanda de trabalho. Como a demanda de trabalho se tornaria maior que a oferta a tendência seria o aumento dos salários. Porém, a pretenção do capitalismo é justamente a alteração orgânica do capital porque o que interessa para o capital é o aumento do proletariado com a manutenção de um nível salarial que não prejudique o percentual de acumulação para que a mais-valia também se eleve. Pois o princípio é de que a riqueza advém do trabalho e quanto mais força de trabalho mais geração de riqueza.



Abro um parênteses para avaliar o quanto é importante também levar em consideração que a incorporação da tecnologia à força de trabalho pode fazer com que o percentual de lucros aumente e seja gerado um exército de reserva ou um número de desempregados suficientes para pressionar os salários e manter ou reduzir a quantidade de postos de trabalho.


A reprodução da força de trabalho faz parte do processo de valorização e reprodução do próprio capital. Portanto, o aumento da quantidade de trabalhadores implicará também no aumento na quantidade de trabalho não pago, que é a mais-valia. Esse processo compõe o ciclo de reprodução ampliada da riqueza como capital. Pois o objetivo é justamente a ampliação da dominação do capital sobre a classe trabalhadora.

sábado, 2 de julho de 2011

Como a flutuação cambial pode influenciar na economia

Antes de falar sobre a influência do regime de câmbio flutuante na economia de um país é preciso debater alguns conceitos acerca do assunto. Segundo o DIEESE, o câmbio é a relação entre a moeda nacional e a moeda estrangeira. É a razão da troca de uma moeda por outra, ou seja, para comprar US$ 1,00 são necessários R$ 2,00. Já a flutuação cambial está relacionada a valorização ou devalorização do câmbio. Quando há a valorização do real em relação ao dólar, por exemplo, são necessários menos reais para comprar um dólar. Quando há a desvalorização acontece o contrário, ou seja, são necessários mais reais para comprar um dólar.


Realizadas essas observações preliminares podemos tratar das consequências das flutuações cambiais. Com a valorização cambial as importações se tornam mais baratas porque são necessários menos reais para comprar mais dólares e as exportações passam a ficar mais caras porque os produtos nacionais se tornam mais caros em dólar. A valorização provoca uma perda de competitividade das exportações em relação as importações e isso pode fazer com que haja uma redução da produção em alguns setores da economia e gere o desemprego interno. Por outro lado, a desvalorização cambial faz com as exportações se tornem mais competitivas em relação as importações e possa haver o aquecimento de alguns setores da economia e gerar mais emprego. Um fator importante nessas oscilações é que as empresas que buscam investimentos no país desejam sempre um câmbio mais estável e previsível para que seus lucros sejam visualizados com mais precisão.


No que diz respeito aos salários, a valorização cambial aumenta o poder de compra salarial quando medido em dólares porque com a mesma quantidade de salário é possível comprar um valor maior de dólares. A valorização também torna mais barato insumos e bens intermediários importados, que entram na composição de diversos produtos e ajudam a manter baixos os índices de inflação, contribuindo para preservar o poder de compra dos salários. Entretanto, ao associar o câmbio valorizado com altas taxas de juros e uma elevada carga tributária é possível que haja uma redução na competitividade de diversos setores da indústria, diminuindo a rentabilidade e gerando desemprego.


Dois de julho leva bandeiras do Dia Nacional de Mobilização

As bandeiras de luta do 2 de Julho da Central Única dos Trabalhadores são as mesmas que farão parte do dia 6 de julho, que é o Dia Nacional de Mobilização da CUT. São elas: ganhos reais e cláusulas sociais nas campanhas salariais do 2º semestre; redução da jornada para 40 horas semanais sem redução de salário; liberdade e autonomia sindical; fim do Imposto Sindical; combate às práticas antissindicais; fim do Fator Previdenciário e combate à precarização e à terceirização. O Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente (Sindae) também leva pra rua a bandeira contra a privatização do saneamento, enfatizando a tentativa de privatização da Empresa Municipal de Saneamento de Itabuna (EMASA), que o prefeito da cidade está tentando entregar ao capital privado. No dia 6 de julho a CUT-BA fará uma panfletagem no centro da cidade às 10:ooh. Vamos sindicatiar!

O papel de Bretton Woods no sistema capitalista

O texto de Belluzo nos mostra que o capitalismo praticado nos anos 20 e 30 transformou a concorrência em monopólio, praticou o protecionismo, arrasou com as moedas nacionais e gerou desemprego. Essa experiência negativa deixou a lição de que era preciso a constituição de uma instância pública de decisão capaz de disciplinar e coordenar os megapoderes da grande empresa privada e do capital financeiro.

Após a Segunda Guerra, o objetivo dos países capitalistas era uma ordem internacional estável e regulada e o acordo de Bretton Woods teve o objetivo de estabelecer um conjunto de relações comerciais, produtivas, tecnológicas e financeiras sob a liderança dos Estados Unidos que adotodava o modelo keynesiano. O Fundo Monetário Internacional foi criado para exercer as funções de regulação de liquidez e de realização de empréstimos, mas o enfraquecimento do Fundo se deu por conta da submissão ao poder e aos interesses dos Estados Unidos. A proposta de Keynes de criação de um Banco Central dos bancos centrais também tinha um papel regulador, na medida em que pretendia a distribuição mais equitativa do ônus do ajustamento dos desequilíbrios dos balanços de pagamentos entre deficitários e superavitários, facilitando o crédito aos países deficitários e penalizando os países superavitários. Mas essa proposta não foi posta em prática por conta dos interesses norte-americanos.

O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial foram instituições importantes no processo de desenvolvimento do capitalismo após a Segunda Guerra e contribuiu para resultados favoráveis, até meados da década de 1970, com relação as elevadas taxas de crescimento do produto, salários reais, comportamento da inflação e estabilidade das taxas de juros e de câmbio. Apesar da atuação dessas instituições não ter sido exatamente da forma como foi pensada por Keynes e Dexter White.

Durante o final da década de 1970 e início da de 1980 a economia mundial foi afetada por amplas flutuações nas taxas de câmbio devido a crescente mobilidade de capitais de curto prazo que obrigou a seguidas intervenções na política monetária, determinando oscilações entre taxas de juros de diversas moedas e criando severas restrições a ação da política fiscal. Esse ambiente de instabilidade financeira e descentralização do sistema financeiro internacional pode ser entendido como a generalização e a supremacia do mercados de capitais em substituição à dominância anterior do sistema de créditos comandado pelos bancos. Esse foi um dos principais motivos da crise do sistema de Bretton Woods e os primeiros passos da construção internacional do neoliberalismo.

Alguns fatores importantes no processo de crise das esquerdas na Europa pós-guerra

Durante boa parte do século XX a esquerda européia foi definida por partidos socialistas e comunistas. Na verdade, eles hegemonizaram a esquerda. Após a Segunda Guerra houve diversas vitórias eleitorais da esquerda, principalmente até o final da década de 1968. Um dos principais motivos da crise das esquerdas na Europa foi a reestruturação do capitalismo a partir da hegemonia norte-americana, diante da polarização política internacional, que fez com que o socialismo deixasse de funcionar como alternativa convincente ao capitalismo. Outros dois fatores importantes da crise foram a recessão que se seguiu a 1973 e a reestruturação drástica da estrutura de classes.
As explosões políticas de 1968 também trouxeram uma nova perspectiva de pensar a esquerda além da disputa de classe, principalmente com relação ao debate de gênero, de raça, da organização cooperativa excluída pela lógica socialista de centralização do Estado, sexualidade, problemas ambientais e agrários. Essas foram algumas questões que invadiram a imaginação da esquerda depois de 1968. Foram desafios que chegaram de fora das estruturas da política de classe e ajudaram a ampliar o debate da esquerda socialista.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O keynesianismo nos períodos de recessão

Ao analisar o texto A teoria econômica de John Maynard Keynes: teoria de uma economia monetária, escrito por Dudley Dillard, pode-se perceber algumas questões importantes acerca da participação do Estado com relação as medidas econômicas que devem ser adotadas em períodos de recessão. Mas também é importante destacar questões que fazem parte do posicionamento liberal, onde a economia deve ser orientada apenas pelo mercado e sem a intervenção do Estado.
Para os liberais, o Estado não deve interferir na vida econômica do país porque a renda nacional se elevará ao máximo quando o lucros dos negócios se elevarem ao máximo e a consequência disso seria o pleno emprego e o bem-estar social. Porém, para Dillard, os lucros do negócio são apenas uma parte pequena do rendimento nacional e não é um gabarito adequado para o bem-estar social. Além disso, a disparidade entre o total do rendimento e o total do consumo é tão grande nas economias adiantadas que o investimento privado é insuficiente para cobrí-la. Nesse sentido, o governo nacional, como representante de toda a nação, tem o dever de proceder de maneira a aumentar a renda nacional, principalmente através do investimento público para que posssa gerar mais emprego. Em tempos de recessão, por exemplo, o gasto em obras públicas têm como objetivo principal um aumento do pleno emprego no conjunto da economia, incluindo os setores privado e público.
Gostaria de destacar dois pontos abordados por Dillard no debate sobre os investimentos públicos em tempos de recessão: o efeito multiplicador e método de financiamento. A teoria do efeito multiplicador defende que o gasto estatal deva acontecer numa escala suficientemente elevada e frequente para estimular a atividade econômica total e conduzir rapidamente o sistema a um ponto de plena utilização da produção, renda e um nível correspondente ao pleno emprego. Dessa forma, o aumento total do rendimento excederia a quantia do gasto originário e estaria comprovado o efeito multiplicador.
Para Keynes, o método de financiamento do investimento público através de empréstimos aos bancos tem mais reultados do que o financiamento através das variações das taxas de impostos porque ao invés de alterar a propensão a consumir, os empréstimos incrementam o investimento que abrangem o capital privado e o gasto estatal e provocam uma elevação econômica total.
A questão em destaque no texto de Dillard é que nos períodos de recessão o Estado deve ter uma interferência direta na economia nacional, através da aplicação da teoria keinesiana, ressaltando que esse modelo é uma alternativa importante no combate ao desemprego, mas que não pretende impulsionar o socialismo. O keynesianismo é mais um modelo de administração do capitalismo.